Novembro a chegar com um bom livro

Wednesday, November 4, 2015

 

Chegou novembro, já com algum frio e com muita chuva, pelo menos cá pelos "Algarves".

 

São ótimos os conselhos da Cláudia Matos no que respeita à leitura. Na minha Ideia a leitura não só nos enriquece como nos aquece...o pensamento. 

 

Para este mês a Cláudia fala-nos de um livro de Mia Couto. Só por isso deve ser bom, mesmo muito bom, vamos ver.

 

 

A saia almarrotada, selecionado da obra O fio das missangas, de Mia Couto

 

Conto que narra a trajetória de opressão e os mecanismos usados pela personagem principal na sua tentativa de libertação.

Assiste-se a uma situação de clausura voluntária, pois a realidade circundante levou a que a sua existência se justificasse apenas para cuidar dos mais velhos.

“Na minha vila, a única vila do mundo, as mulheres sonhavam com vestidos novos para saírem. Para serem abraçadas pela felicidade. A mim quando me deram saia de rodar, eu me tranquei em casa. Mais que fechada, me apurei invisível, eternamente noturna.”

 

Deparamo-nos com um narrador na 1ª pessoa que é também personagem principal.

 

A personagem não tem um nome que lhe confira individualidade e a pertença à sociedade.

Assinala também, a sua exclusão em relação ao seu grupo social. Parece que a única saída naquela cultura seria nascer de novo: “Mais que o dia seguinte, eu esperava pela vida seguinte.”

 

Trata-se de um conto muito interessante do ponto de vista literário, pois contém bastante simbologia.

 

O título A saia almarrotada, cuja última palavra é um neologismo que reúne as noções de amarrotada e de alma rota, evidenciando o estado de ceticismo que marca a personagem.

 

A solução para o seu problema encontra-se, também, na espera por um homem que a libertaria. Isto é revelador da frágil condição da mulher condicionada à figura masculina.

 

A narrativa atinge o seu ápice quando recebe do seu tio um vestido oferecido em segredo. Quando o pai descobre e ordena que o queime, ela prefere jogar fogo sobre si mesma a destruir o que ele representa. Não pode destruir o sonho, a esperança, uma vez que o vestido invoca tudo aquilo que ainda não foi vivido.

 

Também se verifica uma analogia entre a protagonista e a situação de Moçambique no período colonial. No caso da mulher africana, ela acaba por ser duplamente oprimida, pelo colonizador e pelo homem africano.

 

Mia Couto é um escritor moçambicano, cujas obras poderá encontrar numa biblioteca bem perto de si…

 

Cláudia Matos

 

 

 

Please reload

Posts em Destaque

(Novo) Regresso às aulas

September 15, 2020

1/10
Please reload

Posts Recentes

Tuesday, September 15, 2020

Tuesday, March 24, 2020

Saturday, March 21, 2020

Thursday, March 19, 2020

Tuesday, March 17, 2020

Please reload

Categorias
Please reload

Arquivo
Please reload

    Todos os textos são da autoria e responsabilidade da blogger.

    Seguir nas redes sociais
    Instagram
    • Facebook - White Circle
    • Instagram - White Circle
    • YouTube - White Circle

    © 2020 por MARIA CRISTINA D'OLIVEIRA SALGADO | Portugal